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Introdução ao Estudo do Livro do Apocalipse
 

 

1 – DIFICULDADES DE INTERPRETAÇÃO

Para a grande maioria dos leitores e estudantes da Bíblia, este livro oferece um desafio todo especial.  Se cremos por um lado, que ele é a palavra inspirada de Deus, com a mesma autoridade divina que toda Bíblia possui, por outro lado, as figuras, simbolismos e metáforas nele utilizadas, são por vezes tão estranhos que muitos não se sentem com coragem de interpreta-lo e prega-lo com a devida convicção. Como exemplos, poderíamos citar os “pais da reforma”, que nunca o compreenderam ou estudaram profundamente.  Era o caso de Martinho Lutero, que achava que este livro nem deveria constar da lista do “Cânon Sagrado, pois não via o menor sentido em tentar compreende-lo. Por sua vez, João Calvino, um  dos grandes teólogos da Igreja Reformada, recusou-se mesmo a estuda-lo com afinco. Este é na verdade, um dos livros mais controvertidos da Bíblia, e não pode ser estudado com espírito dogmático, ou seja, de forma sentenciosa e imperativa, como se possuíssemos a chave definitiva de sua interpretação. Entretanto, na medida em que o “relógio de Deus”, faz cumprir na história as grandes profecias bíblicas, o panorama deste livro se aclara gradualmente. O profeta Daniel no ultimo capítulo da sua profecia (Daniel 12:4 - E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará.) recebeu ordem de “...encerrar as palavras e selar o livro, até o tempo do fim”, numa alusão clara da determinação divina em não revela-lo antes.  Neste mesmo verso é dito ainda, que “muitos o esquadrinharão (estudarão), e o saber (principalmente acerca do conhecimento profético) se multiplicará.  No contexto, esta parte final se aplica ao “tempo do fim”, dando a entender que o transcorrer da história forneceria os elementos para sua melhor compreensão.

2 – DATA E AUTORIA – Ap. 1:1-2

O testemunho dos historiadores localiza o aparecimento deste livro no império de Domiciano, o que concorda com o testemunho de alguns dos “pais da Igreja”, tais como, Vitoriano, Irineu e Justino, o Mártir, de que este livro teria sido escrito em torno do ano 96 da Era Cristã.  Quanto a sua autoria, o texto acima informa apenas que a pessoa que recebeu estas revelações era alguém chamada João. Três diferentes correntes de intérpretes tentam ao longo da história, identificar esse personagem como sendo:

2.1 – João, discípulo imediato de João o apóstolo;

2.2 – João, um profeta cristão que teria vivido na cidade de Éfeso;

2.3 – João, o apóstolo de Jesus.

Diversas razões nos levam a crer ser esta última interpretação, a verdadeira:

a)      A semelhança de expressões teológicas do Apocalipse com o Evangelho de João – no Evangelho temos a teologia do verbo (João 1:1 -  No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.) ou do logos, expressão só encontrada no Novo Testamento no capítulo 19 do Apocalipse;

b)      O remetente da carta demonstra pela sua linguagem, ser alguém muito conhecido das Igrejas da Ásia (1:4 - João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete Espíritos que estão diante do seu trono;) certamente que só o apóstolo João teria tão grande confiança de ser conhecido por todas àquelas igrejas, a ponto de dispensar maiores apresentações;

c)      Comprovação da história secular – diversos historiadores e “pais da igreja”, entre os quais Irineu, Justino e Mártir, e Vitoriano, concordam com a autoria do apóstolo, tendo o último declarado literalmente o seguinte: “Quando João escreveu estas coisas, ele estava na Ilha de Patmos, condenando por César Domiciano a trabalhar nas minas”;

Explicação para a diferença de estilo literário entre o Evangelho e esta carta – era comum naquela época a utilização de “secretários”, como o apóstolo Paulo o fez em sua carta aos romanos (Romanos 16:22 - Eu, Tércio, que esta carta escrevi, vos saúdo no Senhor.). Daí o Evangelho apresentar um grego correto, suave e sem erros, e o Apocalipse, uma gramática rude, demonstrando um grego que seria uma segunda alternativa de língua.

 

3 – MÉTODOS OU ESCALA TEOLÓGICA DE INTERPRETAÇÃO:

Existem basicamente quatro métodos ou Escalas teológicas de interpretação do Apocalipse:

3.1 – ESCOLA PRETERISTA(Ray Sumers, Mc Dowell, etc.) esta corrente teológica vê o Apocalipse do ponto de vista “histórico – passado”, e os seus teólogos acham que este livro foi escrito apenas para os cristãos da Ásia Menor, que sofriam perseguições do império romano. Segundo este ponto de vista, a Roma imperial (Nero e Domiciano) era a besta do capítulo 13, a classe sacerdotal asiática, que incentivava o culto a Roma seria o falso profeta, e a queda da Grande Babilônia (cap. 18) seria a destruição da Roma histórica. Fica mais ou menos claro que esta corrente teológica induz o pensamento de que o Apocalipse foi escrito apenas para produzir esperança no coração do crente perseguido daquele período da igreja.

3.2 – ESCOLA HISTÓRICA – contínua -  esta escola interpreta o Apocalipse como uma profecia simbólica que descreve de forma seqüenciada toda história da igreja a partir de Cristo até sua volta.  Seus intérpretes identificam cada uma das sete igrejas, como “períodos históricos da igreja cristã”, e vêem nos fatos e pessoas da história, o cumprimento de diversas profecias apocalípticas.  Portanto, para eles o apocalipse apenas sintetiza a história da igreja do início ao fim.

3.3 – ESCOLA IDEALISTA -  vê no Apocalipse apenas um quadro simbólico do confeito cósmico espiritual entre o Reino de Deus e os poderes malignos, que ensinam segundo seus teólogos que o bem sempre vai triunfar sobre o mal. Sabemos entretanto, que o simbolismo apocalíptico se preocupa primeiramente com os acontecimentos da história que levam ao fim dos tempos, e à vinda do Reino de Deus.

3.4 – ESCOLA FUTURISTA – seus defensores vêem a maioria das profecias do apocalipse como predições que ainda serão realizadas no futuro, sendo este livro, portanto, segunda esta corrente, essencialmente profético, descrevendo em linguagem figurada, eventos que ocorrerão antes, durante e depois da segunda vinda de Cristo. O Ponto de vista futurista subdividiu-se com o decorrer do tempo em duas correntes de interpretação que são chamados de “Dispensacionalista” e “Moderada clássica” (pré-milenista clássica), e que se definem da seguinte forma:

3.4.1 – Escola Futurista Dispensacionalista – entende as sete cartas como sete épocas sucessivas da história da igreja, expressa em símbolos.  O Caráter das sete igrejas ilustra as principais características dos sete períodos. Vêem ainda no arrebatamento espiritual de João (Apocalipse 4:1 - Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas.), um símbolo do arrebatamento da igreja no fim dos tempos, e na “selagem do povo de Deus”(Apocalipse 7:1-8 - E, depois destas coisas, vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma. 2  E vi outro anjo subir da banda do sol nascente, e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar, 3  dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos assinalado na testa os servos do nosso Deus. 4  E ouvi o número dos assinalados, e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel. 5  Da tribo de Judá, havia doze mil assinalados; da tribo de Rúben, doze mil; da tribo de Gade, doze mil; 6  da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Naftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze mil; 7  da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil; 8  da tribo de Zebulom, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim, doze mil.), outro símbolo de volta de Israel para Jerusalém, com o templo reconstruído (Apocalipse 11:1-3 - Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara, e também me foi dito: Dispõe-te e mede o santuário de Deus, o seu altar e os que naquele adoram; 2  mas deixa de parte o átrio exterior do santuário e não o meças, porque foi ele dado aos gentios; estes, por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa. 3 Darei às minhas duas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco.).

3.4.1 – Escola Futurista Moderada ou Clássica – não vê razão para uma diferença tão definida entre Israel e a Igreja, e nem base bíblica para reconhecer nas sete cartas uma predição de sete períodos da história da igreja. Concorda, entretanto, a que o propósito do livro é descrever a consumação do propósito, redentor de Deus no fim dos tempos. Esta escola assume da “preterista” o contexto histórico, mantendo, entretanto a visão de que o apocalipse contém também uma mensagem profética para o final dos tempos. Diversas profecias bíblicas ilustram o fato aparentemente contraditório, de uma mesma profecia tratar de aspectos históricos contemporâneos, e ao mesmo tempo destinar-se a um cumprimento futuro:

      a – Matança de crianças inocentes de Israel – Jeremias 31:15 - Assim diz o SENHOR: Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável por causa deles, porque já não existem.

            1 – Cumprimento histórico – invasão Assíria em Jerusalém no tempo de Jeremias.

            2 – Cumprimento profético – Mateus 2:16-18 - Então, Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos. 17  Então, se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias, que diz: 18  Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto; era Raquel chorando os seus filhos e não querendo ser consolada, porque já não existiam.

      b – Profecia messiânica de Isaías 61:1- 2 - O Espírito do Senhor JEOVÁ está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos; 2  a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes;

            1 – Cumprimento histórico parcial – Lucas 4:16-21 - E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga e levantou-se para ler. 17  E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: 18  O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, 19 a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor.  20  E, cerrando o livro e tornando a dá-lo ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. 21  Então, começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.

            2 – Cumprimento profético – segunda vinda de Cristo.

      c – Entrada triunfal de Cristo em Jerusalém – Zacarias 9:9-10 - Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta. 10  E destruirei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e o arco de guerra será destruído; e ele anunciará paz às nações; e o seu domínio se estenderá de um mar a outro mar e desde o rio até às extremidades da terra.

            1 – Cumprimento histórico parcial – Lucas 19:37-44 - E, quando já chegava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto, 38 dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas! 39 E disseram-lhe dentre a multidão alguns dos fariseus: Mestre, repreende os teus discípulos. 40 E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão. 41 E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, 42  dizendo: Ah! Se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas, agora, isso está encoberto aos teus olhos. 43  Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todas as bandas, 44  e te derribarão, a ti e a teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação.

            2 – Cumprimento profético – segunda vinda de Cristo.

 
4 – TEMA CENTRAL

O tema deste livro é a redenção, que envolve a restauração de tudo quanto foi perdido através do pecado, compreendendo a alma do homem (Gálatas 3:13,14 - Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; 14  para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo e para que, pela fé, nós recebamos a promessa do Espírito.), seu corpo (Romanos 8:23 -  E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.) e a terra (Efésios 1:14 - o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.). Esta palavra (redenção) tem a sua origem em um costume do Velho Testamento (Levítico 25:23-28 -  Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós sois estrangeiros e peregrinos comigo. 24  Portanto, em toda a terra da vossa possessão dareis resgate à terra. 25  Quando teu irmão empobrecer e vender alguma porção da sua possessão, então, virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que vendeu seu irmão. 26  E, se alguém não tiver resgatador, porém a sua mão alcançar e achar o que basta para o seu resgate, 27  então, contará os anos desde a sua venda, e o que ficar restituirá ao homem a quem o vendeu, e tornará à sua possessão. 28  Mas, se a sua mão não alcançar o que basta para restituir-lha, então, a que for vendida ficará na mão do comprador até ao Ano do Jubileu; porém, no Ano do Jubileu, sairá, e ele tornará à sua possessão.), que nos ensina que só Jesus pode ser o redentor, porque só Ele tinha condições de “pagar o preço” exigido pela lei para adquirir a possessão perdida com o objetivo de devolve-la ao seu legítimo dono.

                         5 – REDENÇÃO

Apocalipse 1:1-8 - Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou e as notificou a João, seu servo, 2  o qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto.  3 Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. 4  João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete Espíritos que estão diante do seu trono; 5  e da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, 6  e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, glória e poder para todo o sempre. Amém! 7  Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim! Amém! 8  Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-poderoso.

a)      O que é Redenção:

Consiste no processo de restaurar ao proprietário original, algo que ele perdeu ou vendeu (Rute 2:20 - Então, Noemi disse à sua nora: Bendito seja do SENHOR, que ainda não tem deixado a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os mortos. Disse-lhe mais Noemi: Este homem é nosso parente chegado e um dentre os nossos remidores.). O tema do livro de Apocalipse é a redenção, e esta envolve a restauração de tudo quanto foi perdido através do pecado, compreendendo a alma do homem, seu corpo e a própria terra.

b)      A Redenção envolve então:

1)      alma

        Colossenses 3:13 - suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.

        Efésios 4:30 - E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o Dia da redenção.

2)      Corpo

        Romanos 8:23 - E não só ela, mas nós mesmos,  que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.

        Lucas 21:28 -  Ora quando essas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai a vossa cabeça, porque a vossa redenção está próxima.

3)      Terra

        Efésios 1:14 – O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória.

c)  O processo da Redenção:

            Foi entregue por Deus nas mãos da igreja.  A história da igreja é portanto a história da redenção no que se aplica à alma dos homens.  Ainda não chegou a ocasião determinada por Deus para a redenção do corpo do homem, bem como, da terra, pois estamos na primeira parte do processo da redenção.

 

                          6 – PROPÓSITO OU MENSAGEM CENTRAL DO LIVRO – Ap. 1:1-3

 

a) Revelação de Jesus Cristo      

            Tradução da palavra grega “apocalupsis” cujo significado mais simples é “descobrir algo que está encoberto (Lucas 12:2 - Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido.); mas no Novo Testamento a palavra geralmente tem uma conotação religiosa distinta, no sentido especial de “desvendamento de algum mistério”, impossível de ser descoberto pelo homem” (Romanos 16:25-26 - Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, 26  mas que se manifestou agora e se notificou pelas  Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé, - Gálatas 1:12 - porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.).  Através desse “abrir de cortinas”, Deus mostrou a João o drama da civilização humana, desde a ascensão de Cristo, até a eternidade.

b) A revelação como prerrogativa de Deus – (Apocalipse 1:1 - Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou e as notificou a João, seu servo,)

“Que Deus lhe deu...”- Mateus 24:36 - Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente meu Pai. – Atos 1:6-7 - Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? 7  E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.)

      OBS.: Jesus na sua forma de “servo”, se esvaziou (Filipenses 2:5-11 - De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 6  que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.  7  Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; 8  e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. 9  Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, 10  para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, 11  e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.), perdendo muitas (ou todas?) das suas prerrogativas divinas. Entretanto o Jesus Cristo ressuscitado e glorificado está à direita de Deus, que lhe revela então o que acontecerá até a consumação dos séculos.

 

                        7 – REMETENTE E DESTINATÁRIO – Ap. 1:4-5a

 

     a) Destinatárioas sete igrejas da Ásia      

            -  O conceito bíblico do número sete – indicação de plenitude – Apocalipse 13:1 E eu pus-me sobre a areia do mar e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e, sobre os chifres, dez diademas, e, sobre as cabeças, um nome de blasfêmia.

-  O porque das sete igrejas da Ásia – representa a igreja inteira em todo o tempo.

      b) Remetentea trindade Divina (4-5)

b.1) -  Deus Pai – “aquele que é, que era e que há de vir”

-              O texto mostra um Deus sem cronologia humana, ao qual pertencem o presente, o passado e o futuro;

-              O texto indica ainda um Deus que é soberano da história;

-              O texto mostra um Deus que apesar de eterno, toma parte da nossa história.

             b.2) -  Deus Espírito Santo – “sete espíritos que se acham diante do seu trono (4).

- “sete” aqui significa a plenitude e a totalidade do poder do Espírito Santo (Isaias 11:2 -  E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, e o Espírito de sabedoria e de inteligência, e o Espírito de conselho e de fortaleza, e o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. – Zacarias 4:10 - Porque quem despreza o dia das coisas pequenas? Pois esse se alegrará, vendo o prumo na mão de Zorobabel; são os sete olhos do SENHOR, que discorrem por toda a terra.), que está em tudo, penetra em tudo, e preenche tudo Salmos 139:7-12 - Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face? 8  Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; 9  se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, 10  até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. 11  Se disser: decerto que as trevas me encobrirão; então, a noite será luz à roda de mim. 12  Nem ainda as trevas me escondem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.

              b.3) -  Deus Filho – “e da parte de Jesus Cristo” (5).

      OBS.: Portanto, Deus Pai nos é apresentado com o Eterno inserido na história.  O Espírito Santo como aquele que penetra em tudo, e o Filho, como aquele que na própria história, executou e está executando o processo de redenção elaborado pelo Pai, desde toda eternidade.

 

                        8 – QUALIFICAÇÕES DE CRISTO COMO EXECUTOR DO PLANO DE REDENÇÃO DE DEUS – 1:5-6

-  Quem era digno ou qualificado para abrir o livro da redenção? – 5:1-6

-  Teria que ser “alguém” que fosse:

a)      Fiel testemunha (vs. 5) – João 18:37 - Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. – Mateus 26:39 - E, indo um pouco adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.

b)      Primogênito dos mortos (vs. 5) –  refere-se à ressurreição glorificada

c) Soberano dos reis da terra  – Salmos 89:27 - Também por isso lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei mais elevado do que os reis da terra. – João 3:31-36 - Aquele que vem de cima é sobre todos, aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos. 32  E aquilo que ele viu e ouviu, isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho. 33  Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro. 34  Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois não lhe dá Deus o Espírito por medida. 35  O Pai ama o Filho e todas as coisas entregou nas suas mãos. 36  Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.

      d) Pleno de amor  – Romanos 5:8 -  Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.      

e) Nosso libertador  – João 19:30 - E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

      OBS: - As últimas palavras de Cristo na cruz foram: “ESTÁ CONSUMADO”, que no grego (tetelestai) significa, está completamente pago.

      - Devido às suas qualificações, e em razão de seu grande amor (vs. 5b), Ele não somente nos libertou (ação passada de caráter negativo) como também nos constituiu (palavra jurídica de caráter positivo) reino e sacerdotes para Deus Pai (II Timóteo 2:2 - E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.Romanos 12:1 - Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.  I Pedro 2:9 - Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;

 

                       9 – A ESSÊNCIA DO LIVRO – 1:7-8

“O Grande Dia do Senhor” – Daniel 7:13 - Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele.  Mateus 24:30 - Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.  Atos 1:11 - os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.

 

                        10 – ESTRUTURA DO LIVRO

 

5.1 – Estrutura Temática – O tema deste livro é introduzido inicialmente através de quatro séries de sete:

a)      Introdução (1);

b)      Sete cartas (2 – 3);

c)      Sete selos (5 – 8:1);

d)      Sete trombetas (8:2 – 11);

e)      Sete flagelos (15 – 16);

f)        A consumação final do Reino de Deus (17-21)

Encerra-se com julgamento de Babilônia (a civilização apóstata), e o triunfo e consumação final do Reino de Deus (17-21).

 5.2 – Estrutura Literária – O Apocalipse é formado basicamente de quatro visões distintas, sempre iniciadas com o convite para ver o que Deus quer revelar: “VEM E VÊ O QUE DEUS QUER REVELAR”.

a)      Primeira visão (1:9,11) – Cristo glorificado – “O que vês, escreve em livro...”

b)      Segunda visão (4:1) – O trono celestial – “Sobe aqui e te mostrarei...”

c)      Terceira visão (17:1) – O mistério da Babilônia – “Vem, mostrar-te-ei o julgamento...”

d)      Quarta visão (21:9) – A Jerusalém Celestial – “Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do cordeiro...”

 

                        11 – CONCLUSÃO – OBJETIVOS DO LIVRO

Cada livro da Bíblia trata conosco numa área específica das nossas vidas. Gênesis conduz-nos a uma identificação com as nossas raízes; os Salmos tocam nossos sentimentos e problemas psicológicos são tratados. Romanos atinge intensamente o nosso intelecto. O Apocalipse abrange a nossa imaginação, que é grandemente exigida por se tratar de um livro de símbolos, tipos e de figuras. Desde que no seu estudo, a imaginação fique presa à orientação do Espírito Santo e ao contexto do livro, poderemos perceber que Deus tinha objetivos bem definidos nesta linda revelação profética, que foi transmitida à sua igreja para:

a)      Preparar os cristãos para as aflições, perseguições e tribulações desta vida;

b)      Formar nos crentes a plena consciência de que Jesus é o Senhor da História;

c)      Fornecer uma chave para a interpretação dos eventos históricos futuros (escatológica);

d)      Declarar ainda que em linguagem simbólica, o que sem dúvida alguma ocorrerá na história deste mundo.

Portanto, o estudo deste livro representa certamente uma grande bênção e privilégio para a igreja (Ap. 1:3).

Venha abrir as páginas deste livro e receber de graça a água da vida (Ap. 22:17).

 

  
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