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Carta as Sete Igrejas da Ásia

Os Sete Candeeiros de Ouro

APOCALIPSE 1:4-5    1:10-13  -  1:20  -  2:1

 

1 – INTRODUÇÃO

 

João, às sete igrejas que se encontram na Ásia: Graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono, e da parte de Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dos mortos, e o soberano dos reis da terra.” Ap. 1:4-5

“Achei-me em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim grande voz, como de trombeta, dizendo: o que vês, escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Ap. 1:10-11

No estudo das cartas, o primeiro aspecto geral a ser considerado, diz respeito ao endereçamento das cartas às sete igrejas da Ásia Menor.  Foi Jesus mesmo quem determinou através de um anjo, que João encaminhasse àquelas igrejas (Ap. 1:10-11) as cartas QUE PASSARIA A DITAR. Entretanto, por que encaminha-las a essas igrejas e não a outras muito maiores e mais conhecidas? Levando-se em conta Atos 19:10 – Isto continuou, pelos dois anos seguintes, de modo que todo mundo na província turca da Ásia – tanto judeus como gregos – ouviu a mensagem do Senhor.” , percebemos que toda Província Romana da Ásia ouviu o Evangelho e através do trabalho realizado por Paulo em Éfeso, quando de sua terceira viagem missionária.  De II Coríntios 2:12 – “Ora, quando cheguei à cidade de Trôade, o Senhor me deu oportunidades enormes de pregar o Evangelho.”  e Atos 20:4-7 – Diversos homens iam viajando com ele, e chegaram até à Ásia, na Turquia; eram eles: Sóprato de Beréia, filho de Pirro; Gaio, de Derbe; Aristarco e Secundo, de Tessalônica; Timóteo; e Tíquico e Trófimo, que moravam na Turquia, e estavam voltando para casa. Eles tinham ido na frente e estavam esperando por nós em Trôade. Logo que terminaram as comemorações da Páscoa, nós embarcamos num navio em Filipos, no norte da Grécia, e cinco dias depois chegamos a Trôade, na Turquia, onde permanecemos uma semana.

No domingo nos reunimos para um culto de comunhão e Paulo pregou. E visto que ele ia partir no dia seguinte, falou até à meia-noite!, observa-se também que Trôades foi um importante centro donde partiu o desenvolvimento para Igreja na Província da Ásia, onde existiam então algumas outras cidades e igrejas de certo modo mais notáveis do que algumas das escolhidas.  As igrejas localizadas em Mierápolis, Antioquia, Magnésia e outras cidades da região, eram igrejas autônomas administrativamente, com seus respectivos bispos (pastores), notáveis na época, e no entanto, não foram as escolhidas. Cremos que existem pelo menos três motivos para essa escolha:

  Primeiro: Os problemas e aflições porque passavam aquelas comunidades cristãs:

            Nesse caso, a mensagem apocalíptica se dirigia em primeiro lugar àquelas sete igrejas históricas. É fora de dúvida que essas comunidades não somente existiram histórica e geograficamente falando, como também passavam nessa ocasião por dificuldades de toda ordem, desde àquelas advindas de razões políticas, como o reinado despótico do imperador César Domiciano e alguns outros governantes locais, até outras, como as perseguições movidas pelas colônias judaicas, e mesmo, a disseminação no seio das igrejas de doutrinas heréticas trazidas por inúmeros “apóstolos” e “profetas”.  Podemos nesse caso afirmar que aquilo que o anjo mandou João escrevesse, tinha por primeiro objetivo tratar de problemas doutrinários e disciplinares realmente existentes nessa ocasião histórica, e preparar aquelas comunidades cristãs para as aflições que enfrentariam na sua vida diária (ver MAPA das sete igrejas).

  Segundo: A representatividade daquelas igrejas:

            Ao estudar o texto bíblico, verificamos que no decorrer das suas atividades eclesiásticas, estas comunidades defrontavam-se com problemas novos, que não sabiam como enfrentar.  Fossem seitas heréticas, falsos apóstolos, questões de ordem prática como alimentar-se com comida sacrificada aos ídolos, ou mesmo a vida sexual dos seus membros, os problemas práticos que realmente ocorriam nessas  igrejas eram bem característicos, diríamos mesmo, típicos de pessoas comuns que se reúnem para adorar e pregar o nome de Jesus.  Nesse ponto, temos que definir exatamente o simbolismo inequívoco do número sete no livro de Apocalipse.  É fora de dúvida que o seu significado nesse livro é “totalidade” ou principalmente “plenitude”.

Não “perfeição” como querem alguns, porque nesse caso teríamos dificuldades em explicar que tipo de “perfeição” poderia ser encontrada na “Besta”(Anticristo), descrita no capítulo treze deste livro como um monstro pavoroso que possuía sete cabeças e dez chifres.  Esse número indica  então, que o Senhor além de estar tratando dos problemas imediatos daquelas igrejas da Ásia menor, estava também providenciando um “guia doutrinário” para todos os demais, que naquela ocasião enfrentavam dificuldades da mesma ordem.  A mensagem contida nas cartas deveria espalhar-se e infiltrar-se em todas as igrejas cristãs daqueles dias, produzindo os frutos planejados por seu autor.

  Terceiro: Alcançar as igrejas de cada geração da história

A simbologia do número sete, anteriormente explicada, estaria indicando que Jesus incluía na sua mensagem a plenitude da sua igreja, ou seja, todas as comunidades de todas as gerações de toda a história da igreja.  De fato, ao lermos as cartas podemos sentir a sua aplicação prática aos problemas da igreja de hoje. Certamente que o “Senhor da História”sabia de antemão que as principais dificuldades doutrinárias, as perseguições, o esfriamento espiritual, os falsos ensinamentos, e outros problemas tratados nas cartas, seriam os mesmos em cada comunidade ao longo da vida da igreja.  Assim, haveria igrejas abandonando o primeiro amor” (Éfeso),  comunidades que seriam marcadas por perseguições locais (Esmirna), grupos que misturariam as doutrinas cristãs com rituais pagãos sem qualquer significado real (Pérgamo), e ainda outras, que seriam exatamente tolerantes com seus membros, ao ponto de permitir miscigenação do santo com o profano, introduzindo impureza de toda ordem no seio da igreja (Tiatira).  Desta forma, as cartas nos ensinam  desde ética cristã até “usos e costumes”, desde a conduta espiritual em relação a Deus e ao próximo, até a certeza de que Ele tem nos prometido manter ”as portas da oportunidade” abertas à pregação do evangelho da paz.

Alguns intérpretes consideram que estas sete cartas caracterizam, também, sete períodos sucessivos na história da igreja, descrevendo cada uma, o caráter ou principal característica de sete períodos distintos, que começaria com Éfeso, representante remanescente da igreja primitiva, que estaria “abandonando o seu primeiro amor por Jesus”,  e terminaria com Laodicéia, representando o último período da vida da igreja (imediatamente anterior à segunda vinda de Cristo), no qual a igreja seria morna e indiferente em sua relação com Deus (ver detalhes acerca desta interpretação no QUADRO I).  Esta interpretação, além de arbitrária, por não encontrar qualquer apoio no texto bíblico, conduz a uma exegese que faz por exemplo, que a igreja de Sardes, que se encontrava espiritualmente quase morta, represente a gloriosa época da reforma.  Ao nosso ver, as cartas descrevem condições que ocorrem não em uma determinada época da história da igreja, mas com freqüência e em todos os momentos da sua vida.

O segundo aspecto a ser considerado, refere-se à caracterização das cartas quanto à sua estrutura literária (ver QUADRO II).  Neste aspecto, podemos verificar num panorama geral, que todas as cartas obedecem a uma estrutura literária que pode ser sintetizada da seguinte forma:

a)      Todos iniciam com o seu endereçamento ao “anjo” (pastores e líderes locais da igreja a quem a carta é dirigida);

b)      Em segundo lugar, há uma descrição sumária do seu autor (Jesus), descrição essa que possui íntima relação com os fatos que ocorrem nessas igrejas.  Essa descrição por sua vez, forma no todo, um simbólico e significativo retrato de Jesus, que é apresentado integralmente no capítulo primeiro do Apocalipse;

c)      Em terceiro lugar, as cartas seguem apresentando os elogios de Jesus, aquelas coisas que Ele aprova em cada igreja local. Aqui a única exceção é a igreja de Laodicéia, na qual o Senhor não encontrou qualquer fato que merecesse destaque;

d)      Em quarto lugar, Jesus faz severas repreensões cujo propósito é corrigir aspectos fundamentais da vida cristã, e conduzir a comunidade local a vitórias sobre heresias, perseguições, fraquezas e outras falhas existentes;

e)      Em quinto lugar, o Senhor faz advertências acerca das punições que estavam reservadas àquelas comunidades que não corrigissem as falhas mencionadas nas repreensões.  Apenas as igrejas de Esmirna e Filadélfia mereceram promessas especiais ao invés de advertências;

f)        Em sexto lugar, encontramos em todas  as cartas a ordem geral para que todos ouvissem (no sentido prático de que o Espírito Santo estava transmitindo às igrejas);

g)      Por último, Jesus faz a todos os tipos de comunidades representadas pelas sete igrejas, promessas escatológicas a serem cumpridas por ocasião da implantação do Reino de Deus. É importante observar que todas as sete igrejas recebem uma promessa escatológica, mesmo aquelas que receberam de Jesus as mais sérias advertências.

Das considerações anteriores podemos concluir que estas cartas:

a)      Foram destinadas originalmente a comunidades reais da Ásia Menor, que enfrentavam problemas e aflições em sua caminhada cristã;

b)      Representam e são dirigidas à Igreja Universal em sua totalidade e visam mantê-la como uma comunidade sadia, possuidora de uma avaliação crítica comandada diretamente por Jesus;

c)      Tratam de ética cristã no mais alto grau prático, evidenciando distintas posições locais com sentido histórico-profético.

Não podemos encerrar sem lembrar que o texto bíblico citado inicialmente, mostra que Jesus considera:

a)      Que a sua igreja é pura e de alto valor, como “candeeiros de ouro” (Ap. 1:12-20).

b)      O texto nos mostra um Deus que se fez homem, e mesmo exaltado junto ao Pai, permanece “no meio dos candeeiros” (Ap. 1:13), vivendo e intercedendo por sua Igreja.

c)      Podemos observar que possuímos um Senhor que não está apenas acompanhando o desenrolar da vida da sua igreja, mas, que “anda no meio dos sete candeeiros de ouro” (Ap. 2:1), indicando isto, que Ele está atuando na vida diária de cada igreja e de cada membro do seu corpo.

Finalmente observamos também nas cartas a ocorrência de um delicioso contraste: O mesmo Jesus que se dirige por exemplo, à igreja de Laodicéia, de maneira quase rude, dizendo estar a ponto  de vomita-la da sua boca (Ap. 3:16), é o mesmo que diz: “eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz...” (Ap. 3:20).  Fica bem claro que o objetivo do Senhor é sempre buscar e disciplinar a ovelha perdida, e promover uma restauração completa.

 

  
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